Há tempos de mudança que se arrastam... que se arrastam pelos patamares dos prédios altos dos meus anseios. Anseios são gentis na positividade da frequência com que me sacodem a visão, no jeito com que me arrancam o sono de dentro da cabeça e a fadiga de dentro do corpo. Estou ansiosa.
Chegou, mais uma vez, o tempo de mudar as "minhas coisas", estou à espera que a mudança decida dar à luz, já que te fazes noite.
Tenho pressa de sair deste salão sem cor, de ir por uma dessas portas que só abrem e fecham uma única vez, é que tenho salas,quartos para pintar. Quero mudar o ar que respiro, derrubar paredes, tenho lençóis mentirosos para queimar, tenho de emoldurar palavras em fila, em filinha, em concreto - fazer das palavras concreto.
Tenho experimentado várias paragens, todas quanto aquelas que ousam chamar pelo meu interesse por "recordações em formato de experiências que nem sempre mudam vidas, só dias, mas eu não quero saber".
De todas as vezes em que cheguei, foi por mim.
Não queiras contar as vezes em que te procurei sem saber se me querias, não queiras saber das palavras que te disse - cairam no vazio, como todas as que não se emolduram -, não queiras pensar que te quero mais do que a mim, são os meus gritos que eu oiço cada vez que te chamo - é para gritar que te quero - e tu vens. Não queiras pensar-me tida por alguém, as minhas ruas não se apagam, e tu és noite. Mas eu adoro que sejas noite. Adoro mesmo.
És uma noite de gritos.
Yolanda Tati
quinta-feira, 3 de junho de 2010
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