quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sais de Tempo

Não foi "a gota de água"...não foi gota, muito menos, de água a imundice da qual se banhou, no dia que passou.
Chegada a altura de esvaziar o tanque, o ralo devorou toda a pequenhez e tem agora sais de todos os tipos, cheiros e cores... sais por todo o lado, por toda a coisa, toda a purificação e intoxicação - sim, sabe que me voltará a perder-se... Pobre pele, destinada a que nela se cole poeira. Feliz pele, destinada a receber, feita para se provar e abrir, cada vez que socorre a carne em ebulição, cada vez que orvalha sobre temporais, durante estações de "ter".
Aprendeu a ler - sim, a pele. Instrui-se em leitura de tempos, esperas e vontades. Interrompe-se, então, o soletrar de jogadas e charadas de "ser e sentir", jogos de "eu sempre soube".
Respeite-se o Tempo! Perdoa-a, Tempo... perdeu-se entre teimosias, é sabido. Só os sais no frasco do Tempo se perderam.
Repara, restam sais de "Mim" - colheitas de estações húmidas, suores de épocas que, exactamente como as vontades, mudam. Já sabia.
E vai pagar o que deve, por cima de brasas incandescentes de quem nada procura, por estar ainda a descobrir-se, ainda há muito para fazer arder em consolo de fomes e saciedade.
Somos dois tipos de pessoas: nós e outro - um conhecemos, o outro não.

Tenho um frasco com Sais de Tempo, para mim e para a Saudade (sair de tempo).

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